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| Alguns
pontos importantes das técnicas de cirurgia
bariátrica e suas principais carências
nutricionais |
A
obesidade por se tratar de um tema tão presente
em nosso cotidiano, e já ser considerado
um problema epidêmico, é hoje um dos
assuntos que
mais produzem informações e soluções
conflitantes, a ponto de ser criado recursos que
passam pelos centros cirúrgicos, como as
cirurgias bariátricas.
Na
América Latina é provável que
200 mil pessoas morrem atualmente em decorrência
das co morbidades relacionadas com a obesidade,
como: doenças cardiovasculares, dislipidemia,
diabetes mellitus, alguns tipos de câncer
e prejuízos físicos sociais e ocupacionais.
E em particular a obesidade mórbida tem um
impacto prejudicial maior na morbidade e mortalidade
e induz uma discriminação social,
ocupacional e fisiológica, sendo uma das
doenças que mais matam no mundo.
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A
taxa de mortalidade é 12 vezes maior, entre homens
com 25 a 40 anos, quando comparada a indivíduos normais.
(2 , 6).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde
(OMS), classifica-se o Índice de Massa Corporal (IMC)
, que avalia a distribuição do peso em relação
à altura e permite definir o nível de obesidade,
baseando-se no risco de mortalidade independente do sexo e
idade. Quanto à gravidade, a OMS define obesidade grau
I quando o IMC situa - se entre 30 e 34,9 Kg/ m2, obesidade
grua II quando IMC situa-se entre 35 e 39,9 Kg/m2 e obesidade
grau III (mórbida) quando o IMC ultrapassa 40 Kg/ m2
.(6)
São indicados para o tratamento cirúrgico (cirurgia
bariátrica) os pacientes com IMC maior que 40Kg/m2
ou IMC maior que 30Kg/m2 portadores de co morbidades. Segundo
Garrido (1998) a seleção de pacientes requer
um tempo mínimo de 5 anos de evolução
da obesidade e a história de falência do tratamento
convencional realizado por profissionais qualificados. A cirurgia
está normalmente contra-indicada em pacientes com:
pneumopatias, insuficiência renal, lesão acentuada
do miocárdio, cirrose hepática, distúrbios
psiquiátricos graves ou dependência de álcool
ou drogas.
Apenas 10% dos pacientes com obesidade mórbida respondem
suficientemente ao tratamento médico, por isso que
as técnicas cirúrgicas estão sendo empregadas
com maior freqüência. (14).
É errado supor que os indivíduos obesos mórbidos
são bem nutridos. Eles têm um excesso de estoque
de energia na forma de gordura corporal, mas alguns indivíduos
obesos estão depletados de nutrientes.
De acordo com Marceal (1998), para obter
a perda de peso necessária, para corrigir a obesidade
mórbida, muitas vezes é necessário excluir
os mecanismos fisiológicos que mantém o excesso
de peso. Cirurgicamente é possível restringir
a ingestão de alimentos ou diminuir a absorção
dos nutrientes (Marceal,1998). Os procedimentos cirúrgicos
variam na sua localização e no grau de desvio
do trato gastro-intestinal. (16).
O
tratamento cirúrgico para a obesidade surgiu na Europa,
na década de 60, inicialmente com o objetivo de restrição
alimentar como a gastroplastia restritiva com derivação
gastrointestinal em Y Roux, realizada pelo cirurgião
Mason, e que hoje foi transformado em "padrão
ouro" em cirurgia bariátrica. Desde então
muitos cirurgiões adaptaram esta técnica e também
criaram outras como Scopinaro (1973) e Capella (1991).
As cirurgias atualmente utilizadas para tratamento de obesidade
mórbida (OM), já estão amplamente divulgadas
e podem ser didaticamente divididas baseadas nos seus princípios
de funcionamento.
1. Cirurgia Restritiva: Neste tipo de procedimento
cirúrgico, a quantidade de alimento que o paciente
ingere em cada refeição é limitada pela
capacidade reduzida do estômago para obter a perda de
peso desejada (Elliot, 2003), ou seja, mediante a uma redução
gástrica se obtém uma saciedade precoce. (16)
2.
Cirurgias Disabsortivas: Neste procedimento cirúrgico
é modificada a anatomia intestinal para reduzir a sua
superfície absortiva. (13). Estas foram as primeiras
cirurgias utilizadas para o tratamento da Obesidade Mórbida.
Estas eram muito efetivas na redução do peso
dos pacientes. Porém pelo grande número de complicações
relacionadas à perda de proteínas, eletrólitos,
cálcio e bile, pela incidência de doenças
renais por depósito de cálcio e insuficiência
hepática a médio prazo, foram abandonadas progressivamente
pelas equipes cirúrgicas no final da década
1970 (12).
3. Cirurgias Mistas: Neste procedimento cirúrgico
são associadas às características de
ambas os procedimentos cirúrgicos. (7) (componente
restritivo e desabsortivo): consistem na redução
da capacidade gástrica associada a uma derivação
gastroentérica. Foram inicialmente propostas por Mason
em 1967, tendo recebido inúmeras modificações
nos anos subseqüentes. A confecção de anastomose
gastrojejunal em Y - de - Roux (RYGB) foi empregada por Griffen
em 1977 e Miller em 1979. Na evolução da técnica,
2 autores, Fobi e Capella, adotaram separadamente o conceito
de um reservatório situado na pequena curvatura, envolvendo
sua saída por um anel inelástico, de forma a
intensificar a restrição gástrica e aumentar
o tempo de saciedade (12). O procedimento cirúrgico
RYGB é considerado a cirurgia bariátrica mais
comum realizada nos Estados Unidos. Há, ainda, as cirurgias
que propõe a manutenção de um reservatório
gástrico maior, ampliando o componente disabsortivo.
A derivação biliopancreática proposta
por Scopinaro em 1976 consiste em uma gastrectomia parcial
horizontal (com reservatório de cerca de 200 a 300ml),
e um bypass gastroentérico, mantendo um canal comum
de 50 a 100 cm junto à válvula íleocecal
( VIC ) (12). Desta maneira neste procedimento a parte distal
do estômago, o duodeno e o jejuno inteiro são
desviados, deixando apenas 50 cm do íleo distal, o
canal comum para a mistura de nutrientes com as secreções
pancreáticas e biliares, ou seja, a parte do intestino
que leva a produção de enzimas pancreáticas
e a bile, vai ser ligada a 50 ou 100cm da válvula ileocecal,
limitando a absorção dos nutrientes a estes
50 a 100 cm finais do íleo. (9) De acordo com Zeinberstain
e Carreiro (2004) o normal seria de 500 a 700cm. Portanto
nesta técnica há grande redução
do processo de digestão e absorção do
alimento no intestino, com redução acentuada
da área de absorção de gorduras e carboidratos
(12).
O grupo Scopinaro, desde 1976, realizou mais de 2500 cirurgias,
sendo esta técnica utilizada como primeira escolha
por vários grupos envolvidos no tratamento da obesidade.
Os seus resultados demonstram uma perda de excesso de peso
média de 75% após 5 a 15 anos de acompanhamento
(12). Outros estudos demonstram que embora existam diferenças
individuais, este procedimento geralmente é efetivo
em produzir uma média de aproximadamente 50% do excesso
de peso e que é mantido em aproximadamente 60% dos
pacientes em 5 anos (13).
O tratamento cirúrgico está sendo alvo de inúmeras
pesquisas para a comprovação da redução
do peso com a manutenção da saúde a longo
prazo. (4)
Os procedimentos cirúrgicos que apresentam as mais
dramáticas perdas de peso estão geralmente associados
com os que são desabsortivos por natureza. (7)
A desnutrição é um risco que está
associado com todas as cirurgias bariátricas. No entanto,
a desnutrição é largamente evitada depois
destas cirurgias por meio de um processo de educação
nutricional desde o pré-operatório e com a realização
de acompanhamento nutricional ao longo, do pós-operatório
(7).
Por outro lado, como o componente preponderante para a perda
de peso baseia - se na má absorção, a
incidência de complicações como desnutrição
protéica, anemia, alterações do metabolismo
ósseo, são maiores do que nas cirurgias restritivas
puras e no bypass, gastrojejunal clássico (11), Já
que os procedimentos desabsortivos são baseados nas
suas alterações anatômicas e fisiológicas
do trato gastrointestinal, provocando uma previsível
deficiência, os quais podem ser evitadas com uma suplementação
precoce de macronutrientes e micronutrientes seletivos, evitando
as complicações. (9)
A etiologia das doenças metabólicas após
as cirurgias bariátricas são consideradas multifatoriais,
mas estão sempre associadas com a má absorção
intestinal. (15)
De acordo com Vasquez, nos procedimentos cirúrgicos
desabsortivos os riscos de deficiência de micronutrientes
são prognosticamente maiores na técnica cirúrgica
de Scopinaro, devido as interrupções anatômicas
mais severas e além disso a mistura do alimento com
a secreção pancreática e biliar é
limitada apenas ao canal comum no íleo. (13)
A cirurgia bariátrica pode reduzir ou erradicar as
comorbidades inerentes à obesidade, assim como promover
uma redução satisfatória no índice
de massa corporal, porém tende a provocar déficits
nutricionais importantes, se os pacientes não forem
bem monitorados, com uso de suplementos nutricionais adequados.
(4)
A cirurgia em si gera um estresse tanto físico como
emocional, levando a carências mais acentuada dos nutrientes
que precisam gerenciar estes desgastes. Somando-se a estes
fatores o fato que a alimentação que se segue
à cirurgia deve ser líquida e em pequenos volumes,
dificilmente atingindo um valor calórico maior que
1000 a 1100 Kcal, só com a alimentação
não é possível atingir uma quantidade
mínima necessária dos nutrientes para manter
as funções orgânicas. (16).
As dietas extremamente hipocalóricas tendem a provocar
complicações importantes, se não forem
bem monitoradas como: desidratação, desequilíbrio
hidroeletrolítico, hipotensão ortostática
e aumento da concentração de ácido úrico,
assim como fadiga, câimbras musculares, cefaléia,
distúrbio gastrointestinal e intolerância ao
frio. (14)
Para que o tratamento nutricional proporcione uma perda de
peso efetiva e estável e ao mesmo tempo se promova
melhor qualidade de vida, gerando um bem estar físico,
mental e emocional, é determinante considerar a individualidade
bioquímica, a qualidade nutricional da alimentação
e das suplementações nutricionais. Também
é necessário ainda o cuidado para que estes
nutrientes, tanto da alimentação quanto da suplementação
estejam biodisponíveis, sendo portanto muito importante
favorecer a integridade da parede intestinal para haver uma
melhor absorção dos nutrientes. Para tanto ,
na maior parte dos casos é necessária a suplementação
de pré e probióticos, de fibras solúveis
e de nutrientes que são matéria-prima para a
formação e boa manutenção da mucosa
intestinal como, por exemplo, zinco, ácido fólico,
vitamina A, ácido pantotênico. (16).
Para o intestino manter as suas funções ótimas,
o equilíbrio entre as bactérias da microflora
deve ser mantido. (8). Os probióticos preservam a integridade
intestinal, pois promovem a liberação de várias
enzimas no lúmen intestinal proporcionando um efeito
sinérgico na digestão, melhorando os sintomas
de má absorção. A hidrólise enzimática
provocada por estes microorganismos aumentam a biodisponibilidade
de proteínas e gorduras e aumenta a produção
de aminoácidos livres e de ácidos graxos de
cadeia curta (ácidos láctico, propriônico
e butírico). Estas últimas substâncias
ao serem absorvidas, contribuem para a proteção
da mucosa contra alterações patológicas.
(5).
A boa flora intestinal é importante para: aumentar
a absorção dos nutrientes; ativar o sistema
imunológico, combater as más bactérias
(por competição e por produção
de antibióticos naturais); manter a integridade da
parede intestinal; produzir vitaminas como vitamina K, vitamina
B12, vitamina B5, vitamina B6, ácido fólico
e biotina, produzir ácidos graxos de cadeia curta,
melhorar o processo digestório, promover uma ação
anticancerígena, regular o colesterol e auxiliar o
tratamento de alergias alimentares. (16)
Para melhor avaliar o perfil nutricional destes pacientes
e prescrever uma suplementação adequada, é
recomendado que a partir do conhecimento das alterações
anatômicas e fisiológicas que estes procedimentos
cirúrgicos provocam relacionar estas alterações
com a absorção de nutrientes e com os sinais
e sintomas das carências nutricionais dos nutrientes
que tiveram a sua absorção prejudicada. A prevenção
das deficiências de vitaminas e minerais no pós
operatório das cirurgias desabsortivas necessita de
um acompanhamento dos pacientes a longo prazo e do conhecimento
das funções destes micronutrientes no corpo.
A detecção destas deficiências pode ser
dificultada pelos exames laboratoriais impróprios em
reconhecer sinais de deficiência.
Dentre as complicações nutricionais encontradas
na população de estudo de Gambi (2001) foram
a anemia ferropriva em 43,3% e alopécia em 56,7%, sendo
então 100% desta população apresentando
complicações nutricionais, advindas da má
absorção de nutrientes e também por provável
ingestão alimentar deficitária. Tem-se notado
casos de manifestações de fadiga mental, assim
como dificuldade de aprendizagem e concentração
e isto pode ocorrer em parte pela diminuição
da absorção das vitaminas do complexo B. (4).
O duodeno absorve cerca de 40 % dos carboidratos e o jejuno
o restante, de modo que o intestino delgado distal tem pequena
participação nesse processo. A presença
de glicose na luz intestinal melhora a absorção
de água e eletrólitos. Nos procedimentos disabsortivos,
os quais implicam em diminuir a superfície absortiva
do intestino delgado, por consequência ocorre também
uma má-absorção de carboidratos, já
que o duodeno e o jejuno que são os principais locais
de absorção deste nutriente, nestes pacientes
que sofreram estas cirurgias, vão estar desviados.
(7)
A má-absorção de proteínas é
uma complicação potencial da cirurgia realizada
com a técnica de Scopinaro. É relatado que a
incidência de má-absorção de proteínas
ocorre em 15% dos pacientes. Alguns estudos demonstram que
o cólon com o tempo se adapta e começa a absorver
proteína e com isso a deficiência deste nutriente
melhora. (7)
No procedimento cirúrgico pela técnica de Scopinaro
há diminuição da absorção
de gordura promovida pelo procedimento de desvio dos sucos
biliopancreáticos que ocorre. Neste tipo de cirurgia
a má-absorção de gordura e consequentemente
de vitaminas lipossolúveis é bem significativa..
Os pacientes devem minimizar a ingestão de gorduras
para diminuir a perda de fezes. A perda de esteatorréia
com sais biliares é clinicamente manifestada. (9,7,10).
Como consequência da má-absorção
de gorduras os ácidos graxos que não são
absorvidos entram no cólon e causam a secreção
de quantidades excessivas de eletrólitos e água,
resultando em diarréia. (7). A deficiência de
ácidos graxos essenciais pode ser associada com alopécia
após a cirurgia de Scopinaro (4).
Após as cirurgias bariátricas, em alguns casos,
são relatados a manifestação de sintomas
neurológicos, como: visão dupla, ataxia, neuropatias
com paralisia, confusão mental e em todos estes casos
também são relatados a presença de vômitos
persistentes, ou seja, sintomas clássicos de deficiência
de tiamina que é muito comum em alcoólatras.
(9)
Baseados nestes relatos, a recomendação atual
é que em todos estes pacientes que apresentam vômitos
incontroláveis é indicada a suplementação
de tiamina e em alguns casos até por via endovenosa
e intramuscular. (9)
A deficiência de ácido fólico ocorre com
menor frequência que de vitamina B12 ou deficiência
de ferro, no entanto, deve ser considerada quando avalia-se
um paciente que desenvolve anemia depois das cirurgias bariátricas.
Vazquez, (2003) em um estudo realizado com 40 pacientes que
foram submetidos ao procedimento cirúrgico pela técnica
de Scopinaro, a deficência de ácido fólico
foi encontrada em 9 pacientes, ou seja 21,9%. É menos
comum a deficiência de ácido fólico em
pacientes que utilizam multivitamínicos.( 4)
A deficiência de vitamina B12 ocorre após as
cirurgias restritivas e disabsortivas, porque estas interrompem
severamente os passos chaves da digestão e consequentemente
da absorção, incluindo: a diminuição
da digestão ácida e péptica da proteína
que está ligada à cobalamina nos alimentos e
a diminuição da disponibilidade do fator intrínseco
para formar um complexo, já que estes procedimentos
excluem os alimentos do processo digestivo normal. Sendo assim
a cobalamina não é liberada da proteína,
não é ligada ao fator intrínseco e consequentemente
não estará disponível para a absorção
intestinal, resultando em deficiência. É relatado
na literatura que a deficiência de cobalamina ocorre
em aproximadamente 30% destes pacientes(7). Em um estudo com
150 pacientes , Amaral (1984) encontrou deficiência
de vitamina B12 em 40% destes.
A deficiência de cobalamina é inevitável
em todos os pacientes não tratados profilaticamente
após bypass gástrico. (4). A melhor maneira
de suplementação de cobalamina é sublingual
ou injetável, para garantir a sua utilização.
A cicatrização é, em grande parte, orientada
pela vitamina C, de modo que na sua ausência ou deficiência
há falhas no processo reparativo.
No estudo de Vasques (2003) foi avaliada a deficiência
de vitamina C, sendo esta encontrada em 30,8% dos pacientes
estudados.
Nas técnicas cirúrgicas desabsortivas, é
muito frequente a deficiência das vitaminas lipossolúveis,
devido a presença de esteatorréia, sugerindo
a necessidade de suplementação desde o início
do tratamento pós-operatório (13). As vitaminas
lipossolúveis (A, D, E , K) e os ácidos graxos
essenciais necessitam de gordura para a sua absorção.
No mesmo estudo de Vasques (2003), foram também avaliadas
as vitaminas lipossolúveis, onde a deficiência
de vitamina A foi encontrada em 97,5% dos pacientes, a vitamina
D em 47,4% e a vitamina E em 72,5%.
A deficiência de cálcio pode resultar de diversos
fatores (1) redução da ingestão de alimentos
contendo cálcio e vitamina D (2)desvio do duodeno e
(3) má-absorção da vitamina D, devido
a mistura dos sucos biliares e pancreáticos acontecer
no íleo. Uma vez ingerido o cálcio é
principalmente absorvido no duodeno e no jejuno proximal por
um processo ativo saturável, que é mediado pela
vitamina D. Devido a exclusão cirúrgica deste
segmento intestinal, pode ser esperada a diminuição
da absorção do cálcio. (9).
Vários autores tem relatado que o status de cálcio
não é afetado pelo desvio gástrico da
cirurgia, no entanto no estudo de Amaral e cols. (1984) a
fosfatase alcalina estava elevada em 34% dos pacientes após
a cirurgia e mantém elevado em 15%. Na ausência
de doenças hepáticas ou doença de Paget,
um aumento na fosfatase alcalina é usualmente indicativo
de osteomalácia. Outros autores suspeitam que uma doença
óssea subclínica pode ser possível e
recomendam suplementação de cálcio e
vitamina D.
A deficiência de ferro tem sido relatada ocorrer em
33 a 50% dos pacientes após o procedimento cirúrgico
pela ténica de Scopinaro, com uma grande incidência
em mulheres menstruadas. Na patofisiologia da deficiência
de ferro, após as cirurgias bariáticas restritivas
desabsortivas, é relatada a redução da
ingestão de ferro orgânico heme, já que
muitos pacientes apresentam intolerâncias as carnes,
e desvio do ambiente ácido do estômago e área
absortiva do duodeno e jejuno. A suplementação
de ferro é importante principalmente em mulheres c/
ciclos menstruais intensos. (4).
O estudo de Amaral demonstrou que a anemia é desenvolvida
em 37% dos pacientes até 20 meses após a cirurgia,
sendo as mulheres mais comumente afetadas do que os homens.
A anemia microcítica em 18 % dos pacientes, normocítica
em 12% e macrocítica em 7%. A deficiência de
ferro se manifesta em seis meses após a cirurgia.(
1)
Desta maneira, o desenvolvimento da deficiência de ferro
e consequentemente a anemia é provável ocorrer
em todos os pacientes que realizaram cirurgias restritivas
disabsortivas, especialmente em mulheres que tem perda de
sangue menstrual concomitantemente. Por esta razão,
a suplementação de todos os pacientes com ferro
elementar é recomendada.(9).
A deficiência de zinco é frequente nos pacientes
que realizaram procedimentos cirúrgicos desabsortivos,
pois este mineral está relacionado com o grau de estatorréia
e deve ser suplementado de forma precoce. A deficiência
de zinco foi encontrada em 68% dos pacientes (13). Mau estado
de Zn pode contribuir para a alta incidência de infecções
oportunistas após cirurgia de desvio jejunoileal.
Com a diminuição das enzimas digestivas no estômago
operado, alimentos como carnes e cereais integrais são
mais dificilmente digerido e por consequência são
as principais fontes de zinco e estão diminuídos
da ingestão alimentar habitual.
Alguns cuidados devem ser tomados na hora da suplementação
para se ter uma garantia que o nutriente suplementado chegue
na célula alvo, sendo desta forma não apenas
ingerido mas sim utilizado.
Os minerais são melhores absorvidos no trato digestório
na sua forma quelada. Existem muitos veículos de quelação
com uma grande variação na absorção.
A captação dos minerais aminoácidos quelatos
pelas células intestinais é mais rápida
que quantidades similares de íons metálicos,
devido ao estado previamente quelato dos metais, que leva
à sua absorção como moléculas
semelhantes a dipeptídeos. Eles são transportados,
utilizados e excretados de acordo com as necessidades individuais.
(3)
Os minerais aminoácidos quelatos foram desenvolvidos
para a nutrição e são compostos orgânicos,
seguros e bem tolerados, como os minerais encontrados nos
alimentos.
A biodisponibilidade do sulfato ferroso como ferro inorgânico,
é baixa , necessitando-se de grandes doses terapêuticas
(150-300mg Fe/dia) para tratamento da anemia ferropriva. O
ferro glicina quelato tem se mostrado o composto de ferro
mais biosdisponível existente. Uma dosagem de apenas
30mg Fe/dia, na forma de ferro glicina quelato resulta em
um incremento significativo nos níveis de Hb (112g/l
-136g/l) em apenas 4 semanas (12.)
As vitaminas do complexo B, não devem ser dadas isoladamente,
pois estas tendem a trabalhar juntas e competem pela absorção
no intestino.
A vitamina D é melhor quando ingerida com a vitamina
A em fontes naturais como os óleos.
As RDAs apenas enfocam a prevenção das deficiências
nutricionais em grupos de pessoas. Vários estudos científicos
indicam que o nível ótimo para vários
nutrientes devem ser muito mais altos que a atual RDA.
O decréscimo na ingestão de alimentos, alimentos
depletados de nutrientes, alterações na absorção
e individualidade bioquímica devem ser pontos básicos
para definir níveis ótimos de ingestão
diária do que ter nas RDAs como a base para a suplementação
de vitaminas e minerais.
O procedimento cirúrgico visa a perda de peso, promovendo
a cura ou melhor controle das patologias associadas, porém
assegurando acima de tudo qualidade de vida, que está
estritamente relacionada com mudanças do hábito
alimentar, refletindo numa alimentação mais
equilibrada e uma suplementação adequada. Com
base em tudo o que foi apresentado sobre as possibilidades
de deficiências das vitaminas e dos minerais nos pacientes
submetidos à cirurgia bariátrica é que
se justifica a realização de mais estudos para
prevenir as carências nutricionais, garantindo perda
de peso e melhor qualidade de vida.
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SP
|
Carina
Scapinelli - Nutricionista
Formada em nutrição pela Faculdade Puc
Campinas em 2000
CRN 11069
Pós Graduada em Nutrição Esportiva
peloCentro
de Graduação Valéria Paschoal /
UniFMU
Pós Graduada em Nutrição Clínica
Funcional
pelo Centro de Graduação Valéria
Paschoal/ UNIB
Atendimento nutricional em consultório próprio
(desde 2001)
Proprietária da empresa Nutri Vita - Consultoria
Nutricional
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