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VO
máximo e EPOC (Post Exercise Oxygen Consumption)
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Toda
célula utiliza oxigênio para converter
energia do alimento a ATP utilizável para
o trabalho celular. As células musculares,
no momento da contração, têm
elevada demanda de energia (ATP) para execução
do trabalho muscular.
O grande número de células musculares
(bilhões) no corpo consumindo oxigênio
faz com que a demanda energética seja maior.
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Receber
o oxigênio e usá-lo no processo de obtenção
de energia (produção de ATP) para contração
muscular, depende de três fatores: um "sistema
de entrega", para trazer oxigênio da atmosfera
para as células musculares, mitocôndrias em número
suficiente e atividade enzimática satisfatória
para promover o processo de transferência de energia
aeróbia.
Consumo
Maximo de Oxigênio - O VO
máx
Nomeia-se
VO
máx o volume máximo de oxigênio consumido
pelo corpo durante exercício, enquanto a nível
do mar. Como o consumo de oxigênio é relacionado
linearmente com o gasto energético, quando nós
medirmos consumo de oxigênio, nós estamos medindo
diretamente a capacidade de um indivíduo utilizar seu
sistema aeróbio.
O VO
máx, variável básica da intensidade de
exercício, é um bom índice de aptidão
de cardiorespiratória e um excelente preditor de capacidade
de desempenho em eventos aeróbios como corrida de distância,
ciclismo e natação, sendo assim, quanto mais
treinado for um indivíduo, melhor será seu sistema
cardiovascular e capacidade de oxidativa no sistema muscular
esquelético.
EPOC (Post Exercise Oxygen Consumption)
Após
o exercício cardiovascular ou treinamento com pesos,
o corpo mantém o consumo de oxigênio a uma taxa
mais alta do que a anterior ao início do exercício.
Essa manutenção no consumo de oxigênio
é conhecida como EPOC.
Durante o EPOC, o corpo está se restabelecendo a seu
estado de pre-exercício, e assim consumindo oxigênio
a uma taxa elevada, logo o gasto eneregético também
se mantém elevado.
Como
consumimos uma grande quantidade de oxigênio para a
oxidação de substratos durante o exercício,
nosso organismo continua gastando energia depois do exercício
visando o reestabelecimento de funções normais,
como retorno para ritmo de ventilação e freqüência
cardíaca de repouso, redução da temperatura
corporal, ocorrendo o mesmo quando nos alimentamos.
Essas alterações que ocorrem durante o EPOC
promovem um papel suplementar em programas de exercício
para adequação de peso.
Estudos
sugerem que um treinamento de alta intensidade e intermitente
tem um efeito mais pronunciado no EPOC. Isso ocorre como resultado
de uma demanda de energia maior e a liberação
de mediadores de intensidade de exercício como o aumento
nas concentrações plasmáticas de lactato,
de catecolaminas epinefrina e norepinefrina e hormônios
de anabólicos.
Estudos recentes têm demonstrado uma relação
entre intensidade de exercício e aumento na taxa metabólica
basal, uma vez que, o aumento da intensidade aumenta a duração
de EPOC. A grande maioria das pesquisas correlacionaram o
EPOC e intensidade de treinamento em homens, porém,
podemos observar uma nova tendência na realização
dessas pesquisas em mulheres, já que esse recurso pode
auxiliar, e muito no controle do peso corporal, visto que,
mulheres têm menor resposta ao consumo de oxigênio
quando comparadas aos homens devido a maior proporção
de massa muscular.
Existem
evidências de que o EPOC se mantém elevado (13%)
no período de 3 horas após o exercício,
podendo permanecer até 4,2% maior no período
de 16 horas.
Em estudo realizado pelo Departamento de Nutrição
e Ciência de Alimentos da universidade do Colorado pode-se
comprovar os efeitos do treinamento de alta e baixa intensidade
no EPOC e gasto energético pela oxidação
de lipídios e carboidratos.
As
mulheres (n=38) foram submetidas a 3 níveis de intensidade
de esforço em bicicleta, com aferição
do gasto energético por calorimetria indireta 120 minutos
após o fim de cada etapa. A primeira etapa consistia
em gastar 500Kcal a 50% do VO
máx, a segunda 500Kcal a 75% do VO
máx e a terceira, etapa controle, as mulheres permaneciam
em repouso (sentadas) por 60 minutos.
Os
resultados demonstraram que:
- O EPOC foi duas vezes maior quando o exercício foi
realizado a 75% do VO
máx.
- O consumo de O
no repouso foi maior a 75% VO
máx.
- A oxidação de lipídios e carboidratos
foi 33,12% e 36,47%, respectivamente, maior na etapa a 75%
do VO
máx quando comparada a etapa controle.
Sendo
assim, os profissionais que têm atuação
direta com promoção da saúde devem estimular
a realização de exercícios físicos
que promovam melhores benefícios na adequação
de peso corporal e funcionamento orgânico.
REFERÊNCIAS:
Haltom, R.W. et al. 1999. Circuit weight training and its
effects on excess postexercise oxygen consumption. Medicine
& Science in Sports & Exercise, 31, 1613-8.
Osterberg,
K. L. & Melby, C. L., 2000. Effect of acute resistance
exercise on postexercise oxygen consumption and resting metabolic
rate in young women. International Journal of Sport Nutrition
and Exercise Metabolism, 10 (1), 71-81.
Wilmore,
J. H., P. R. Stanforth, K. R. Turley, J. Gagnon, E. W. Daw,
A. S. Leon, D. C. Rao, J. S. Skinner, and C. Bouchard. Reproducibility
of cardiovascular, respiratory, and metabolic responses to
submaximal exercise: the HERITAGE Family Study. Med. Sci.
Sports Exerc. 30: 259-265, 1998[Medline].
Astorino, T. A. et al. 2000. Incidence Of The Oxygen Plateau
at VO2max During Exercise Testing
To Volitional Fatigue, Journal of Exercise Physiologyonline.
Vol. 3, nº 4, October 2000.
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Nutricionista Ricardo Sodré
Sócio-diretor da Nutconsult
Pós-graduado em Nutrição e Atividade
Física/UERJ
Especialista em Nutrição Ortomolecular
Nutricionista UERJ / SEAP
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