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Miostatina
A
todo tempo o ser humano vive na busca incessante
da superação dos seus limites. Porém,
se faz pertinente uma indagação acerca
dessa consideração:
Qual é o limite?
Há
cerca de 50 anos, criadores de gado europeus começaram
a observar alterações no desenvolvimento
muscular de alguns exemplares em seus rebanhos.
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Pesquisas
desenvolvidas por mais de 40 anos com manipulação
genética e cruzamentos desses exemplares revelaram
o "possível limite".
Em 1997, pesquisadores da John Hopkins University descobriram
uma proteína específica que modularia a expressão
genética do avassalador crescimento e desenvolvimento
muscular.
Todos os organismos são compostos por diferentes tipos
de células que crescem, desenvolvem e têm funções
específicas. Algumas dessas funções são
controladas por substâncias que mediam todos esses mecanismos,
gerando uma série de respostas e expressões
diferentes em cada célula tecidual.
Os hormônios são algumas dessas substâncias
conhecidas por nós, porém, o foco principal
de nossa discussão será os fatores de crescimento.
Fatores de crescimento são substâncias sintetizadas
pelas células que interferem em sua própria
função (autócrina) ou de outra célula
próxima (parácrina) e são determinantes
de diferenciação celular, crescimento, motilidade,
expressão gênica e sua função em
um tecido ou órgão. Os fatores de crescimento
normalmente são eficientes em pequenas concentrações
e têm grande afinidade por seus receptores de membrana
específicos e células-alvo, e ainda, possuem
diferentes expressões dependentes de combinações
específicas, tipo de tecido ou órgão
onde existe essa interação. Muitos fatores de
crescimentos promovem ou inibem função celular,
sendo seus mecanismos de atuação regidos por
um mecanismo de feedback.
Existem vários tipos e subdivisões de fatores
de crescimento. Normalmente, são secretados em forma
de complexo inativo, devendo ser transformados de sua forma
latente para a forma atuante de acordo com mecanismos específicos
como a presença e ação de algumas enzimas.
Um conhecido fator de crescimento e diferenciação,
também denominado miostatina, é o GDF-8. Sua
expressão em grandes proporções foi determinada
por pesquisadores na musculatura esquelética de ratos
em proporção inversa no tecido adiposo.
A miostatina, também é encontrada em outras
espécies, inclusive humanos e as pesquisas mais recentes
demonstraram desenvolvimento muscular bastante intenso, atingindo
proporções de até 30% acima dos padrões
de normalidade.
A proposta de ação da miostatina seria a inativação
a substância que inibe o desenvolvimento muscular. Análises
histológicas revelaram um misto de hiperplasia (aumento
no número) e hipertrofia (aumento no tamanho individual)
das fibras musculares nos casos onde houve inibição
da expressão dessa substância.
As aplicações da substância são
variadas e vão desde o tratamento visando a redução
da perda de massa muscular em pacientes com SIDA e câncer
até a sua utilização com finalidade de
desempenho esportivo.
No meio esportivo, as pesquisas tendem para a utilização
da miostatina como forma análoga à "manipulação
genética", conhecida também como dopping
genético. Devendo-se alertar, portanto, para a potencialização
da sua expressão no corpo humano, tal como ocorrida
nos testes em animais, visto que ainda não se tem um
controle sobre sua expressão no corpo humano e suas
possíveis conseqüências. Pesquisadores já
detectaram a presença da substância na musculatura
cardíaca e sinalizaram para o risco iminente.
Levando-se em consideração a propensão
de atletas ao uso de substância que potencializam a
performance, os profissionais de saúde têm um
papel fundamental de conscientização e os pesquisadores
um grande caminho pela frente.
Referências:
Sharma M, R Kambadur, KG Matthews, et al. Myostatin,
a transforming growth factor-b superfamily member, is expressed
in heart muscle and is upregulated in cardiomycetes after
infarct. J Cell Physiol 1999, 180:1.
Carlson,
JC, FW Booth, SE Gordon. Skeletal muscle myostatin mRNA expression
is fiber-type specific and increases during hindlimb unloading.
Am J Physiol 1999, 277:R601.
Loos,
R, M Thomis, HH Maes, et al. Gender-specific regional changes
in genetic structure of muscularity in early adolescence.
J Appl Physiol 1997, 82:1602.
Gonzalez-Cadavid,
NF, WE Taylor, K Yarasheski, et al. Organization of the human
myostatin gene and expression in healthy and HIV-infected
men with muscle wasting. Proc Natl Acad Sci 1998, 95:14938.
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Nutricionista Ricardo Sodré
Sócio-diretor da Nutconsult
Pós-graduado em Nutrição e Atividade
Física/UERJ
Especialista em Nutrição Ortomolecular
Nutricionista UERJ / SEAP
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