| |
 |
| Ingestão
dietética de ômega-3 associa-se a risco
reduzido de autoimunidade contra ilhotas pancreáticas
em crianças com alto risco de desenvolver
DM tipo 1 |
O diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune
caracterizada pela destruição das
ilhotas pancreáticas produtoras de insulina.
As causas que dão início ao processo
de destruição ainda não são
bem conhecidas, mas sabe-se que fatores genéticos
e ambientais estão envolvidos. Os fatores
dietéticos são implicados na etiologia
no DM tipo 1 por iniciar o processo de destruição
auto-imune.
Um estudo caso controle desenvolvido na Noruega
demonstrou que crianças que possuiam diabetes
tipo 1 haviam recebido menores quantidades de óleo
de fígado de bacalhau em comparação
às crianças sem diabetes. O óleo
de fígado de bacalhau contém tanto
vitamina D quanto os ácidos graxos poliinsaturados
ômega-3, ácido eicosapentaenóico
(EPA) e docosaexaenóico (DHA). ). Ainda não
está claro se o efeito protetor do consumo
de óleo de fígado de bacalhau se deve
ao conteúdo de vitamina D ou de ômega-3
ou ambos. |
|
Apesar de dois estudos terem demonstrado que
crianças com o diagnóstico de diabetes receberam
menores quantidades de vitamina D na infância em comparação
com crianças sem diabetes, resultado similar não
ocorreu com os estudos investigando o consumo de ômega-3.
O desenvolvimento clínico do DM tipo 1, com hiperglicemia,
é precedido por um período assintomático
que pode durar meses ou anos. Nesse período, os anticorpos
contra as células beta já são detectados
na corrente sanguínea. A presença persistente
desses anticorpos confere um risco bastante aumentado do desenvolvimento
subseqüente do DM tipo 1. Portanto, a investigação
das causas que levam ao aparecimento desses anticorpos auxilia
a compreender a fisiopatologia do DM tipo 1.
Os estudos sugerem que a infiltração de macrófagos
e a produção de citocinas inflamatórias
são eventos precoces na patogênese do DM tipo
1. Assim sendo, identificar os fatores que levam a esses eventos
inflamatórios pode ser a chave na promoção
ou inibição do processo de destruição
auto-imune.
Vários estudos em humanos e animais demonstraram uma
forte associação dos ácidos graxos ômega
3 com a resposta inflamatória. O baixo consumo de fontes
ricas em ômega-3, característica da dieta Ocidental
pode predispor ao aumento da reatividade inflamatória
e, com isso, aumentar o risco do desenvolvimento de doenças
auto-imune, como o diabetes tipo 1.
O ácido alfa-linolênico (ALA), encontrado no
óleo de linhaça, canola, soja e oleaginosas,
é o principal ácido graxo ômega-3 consumido
na alimentação Ocidental. O ALA pode ter uma
capacidade limitada de gerar EPA e DHA, dois ácidos
graxos ômega 3 obtidos, principalmente, através
dos peixes.
O ácido linoleico é o mais abundante da série
ômega-6 encontrado, principalmente, nos óleos
vegetais, sementes e oleaginosas. O ácido araquidônico
é um ácido graxo da série ômega
6 que pode ser obtido através do ácido linoleico
ou através do consumo de carnes e aves. Os ácidos
graxos linoleico (ômega-6) e linolênico (ômega-3)
competem pelas mesmas enzimas chaves em convertê-los
em mediadores pró ou antiinflamatórios.
Com o objetivo de avaliar o papel dos ácidos graxos
poliinsaturados na etiologia do diabetes foi realizado dois
estudos no "Diabetes Autoimmunity Study in the Young
(DAISY)". O DAISY foi um estudo longitudinal conduzido
em Denver, Colorado, entre Janeiro de 2004 e Novembro de 2006,
com 1770 pacientes pediátricos com risco aumentado
de diabetes tipo 1, definido como portador de genótipo
HLA de alto risco para diabetes ou ter parente ou descendente
portador de diabetes tipo 1. A idade média ao acompanhamento
foi de 6,2 anos. Primeiramente foi avaliada a associação
entre o consumo dietético relatado de ácidos
graxos poliinsaturados ômega-3 e 6 a partir do primeiro
ano de vida e o aparecimento dos anticorpos anti-células
beta nesta população. Por fim, foi desenvolvido
um estudo caso-coorte (N = 244) para avaliar a associação
entre o conteúdo de ácidos graxos poliinsaturados
nas membranas eritrocitárias com o risco de autoimunidade
contra ilhotas pancreáticas.
O resultado foi que cinqüenta e oito pacientes pediátricos
desenvolveram autoimunidade contra ilhotas pancreáticas.
Ajustando-se para o genótipo de HLA, antecedente familiar
de diabetes tipo 1 e ingestão calórica, a ingestão
de ômega-3 foi inversamente associada ao risco de autoimunidade
contra ilhotas pancreáticas (razão de risco
[HR] = 0,45; IC95% = 0,21 - 0,96; P = 0,04). A associação
tornou-se mais significativa quando a definição
do desfecho limitou-se a pacientes positivos para dois ou
mais autoanticorpos (HR = 0,23; IC95% = 0,09 - 0,58; P = 0,002).
No estudo caso-coorte, o conteúdo de ômega-3
nas membranas eritrocitárias também foi inversamente
associado ao risco de autoimunidade contra ilhotas pancreáticas
(HR = 0,63; IC95% = 0,41 - 0,96; P = 0,03).
Portanto, os pesquisadores concluíram que a ingestão
dietética de ácido graxo ômega-3 associa-se
a um risco reduzido de desenvolvimento da autoimunidade contra
as ilhotas pancreáticas em pacientes pediátricos
com risco genético aumentado de diabetes tipo 1.
Fonte:
Omega-3 polyunsaturated fatty acid intake and islet autoimmunity
in children at increased risk for type 1 diabetes - JAMA 2007;298:1420-1428.
|
Nutricionista
FERNANDA SERPA
Graduada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro
- UERJ
Diretora e Docente da empresa Nutconsult
Especialista em Nutrição Clínica
(Clínica Médica e Cardiologia) - HUPE/UERJ
Pós-graduada em Nutrição Clínica
Funcional - CVPE/SP
Docente dos cursos de pós garduação
em Nutrição Clínica Funcional -
CVPE
Nutricionista Militar do Corpo de Saúde dos Bombeiros
Nutricionista Municipal do Hospital Souza Aguiar - HMSA/RJ
Nutricionista Clínica com atuação
em Atendimento Domiciliar e Ambulatorial
|
|
|