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Radicais
Livres e exercício
O
exercício constitui um estresse e as correspondentes
adaptações incluem a melhora da função
cardiovascular, alterações na composição
corporal e pressão arterial, o aumento da
tolerância a glicose e as alterações
bioquímicas celulares.
Ao passo que ocorre um grande numero de adaptações
positivas como resultado da prática habitual
de atividade física, o exercício também
pode provocar eventos danosos ao organismo, em muitos
casos superando as adaptações positivas.
Dentro desse contexto, a produção
de radicais livres em excesso pode ser considerado
um exemplo de efeito indesejável do exercício.
Ao
passo que ocorre um grande numero de adaptações
positivas como resultado da prática habitual
de atividade física, o exercício também
pode provocar eventos danosos ao organismo, em muitos
casos superando as adaptações positivas.
Dentro desse contexto, a produção
de radicais livres em excesso pode ser considerado
um exemplo de efeito indesejável do exercício. |
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Radical
livre é qualquer átomo, grupo de átomos
ou molécula que apresenta em elétron não
pareado em sua órbita externa. O ânion superóxido
(O2), o óxido nítrico (NO-) e o radical hidroxila
(OH-) são exemplos de radicais livres.
Existem substâncias igualmente reativas que não
possuem elétron não pareado na ultima camada,
não sendo classificadas como radicais livres, mas que
geram indiretamente esses radicais, sendo conhecidas como
espécies reativas de oxigênio (ERO) ou espécies
reativas de nitrogênio (ERN).
O organismo humano possui mecanismos de defesa cuja função
é inibir ou retardar a ação oxidativa
desses radicais livres, composto de sistemas enzimáticos
(glutadion peroxidase, superóxido desmutase e catalase)
e de substâncias antioxidantes (vitaminas e até
alguns peptídeos e aminoácidos).
A produção de radicais livres durante o exercício
depende de variáveis como freqüência, intensidade,
tipo e duração do exercício. Em sua maioria,
os estudos realizados sobre radicais livres são realizados
em exercícios com predominância do componente
aeróbico, visto que esse sistema de produção
de energia eleva substancialmente o consumo de oxigênio
e induz ao estresse oxidativo. Temos a mitocôndria como
o componente celular mais exigido, estimando-se que 2 a 5%
do oxigênio utilizado pelas mitocôndrias seja
convertido em radicais livres.
Estudos sugerem que as recomendações de ingestão
diária para algumas vitaminas e minerais poderiam ser
baixas para atletas devido a demanda aumentada pelo exercício.
Embora se saiba que a ocorrência de deficiência
vitamínica entre atletas é rara, essa pode ocorrer
em alguns atletas de determinados grupos como lutadores, ginastas,
e outros atletas de modalidades onde a restrição
de alimentos visando a manutenção do peso corporal
mais baixo é freqüente. A deficiência mais
comum é de vitaminas do complexo B (especialmente B6
e Folato) e das vitaminas antioxidantes (vitaminas C, E, e
Beta caroteno).
Em estudo realizado com 2006 indivíduos, foi determinado
o efeito do exercício e poluição ambiental
nos níveis de vitaminas e os resultados demonstraram
os efeitos prejudiciais de poluentes nas concentrações
sanguíneas. Constatou-se, por exemplo, baixas concentrações
de vitamina C no plasma em indivíduos expostos a substâncias
e atividades que aumentam a produção de radicais
livres.
Existem evidências que a deficiência de vitaminas
do complexo B está associada a sintomas psicológicos
(irritabilidade, frustração, raiva, etc) que
interferem no relacionamento entre os atletas, atleta e técnico,
piorando o rendimento esportivo em muitas vezes de uma equipe.
Uma análise rigorosa do hábito alimentar fornece
importantes informações acerca da ingestão
de vitaminas. Por exemplo: se o atleta necessita de 90 mg
de vitamina C por dia e a análise do consumo diário
mostra uma ingesta de 70mg, esse atleta pode ser considerado
na faixa de risco. A faixa de risco não significa que
haja deficiência, pois cada indivíduo possui
necessidades diferentes. Para esse atleta pode ser que 40mg
seja uma quantidade dentro de um ajuste fino. A baixa ingestão
de vitaminas pode levar o atleta para o segundo procedimento
que consiste em uma análise de sangue para verificar
os níveis séricos de vitaminas e a suas reservas
O terceiro e mais complicado, seria procurar sinais clínicos
de deficiência como escarras angulares na boca (estomatite
angular) que é um sinal de deficiência de riboflavina.
Mesmo não havendo sinais clínicos ou biológicos
de deficiência ela pode estar presente. O hábito
alimentar ajuda a descobrir porque existe a deficiência
e ajuda a montar um esquema para corrigir o problema. A estratégia
é verificar se o atleta está ingerindo um número
ideal de porções de vegetais (frutas e verduras,
etc) por dia e se a dieta tem grãos integrais, carne
magra e produtos lácteos. Verificar também se
a quantidade de energia ingerida é suficiente e se
as regras estão sendo seguidas, a dieta deve ser adequada
em micro e macronutrientes.
Embora não deva ser utilizada como primeira opção,
a suplementação pode ser utilizada como estratégia
terapêutica, porém, em alguns casos existem desvantagens
no uso de suplementos como substituto dos alimentos, onde
podemos citar a ingestão de vitamina C via cápsula
X menor ingestão de fibras, limoneno (fitoquímico
anticancerígeno), potássio e energia que vem
junto com um suco de laranja.
O exercício regular e alimentação adequada
ou suplementação com antioxidantes auxiliam
a reduzir os danos celulares causados pelo estresse oxidativo.
REFERÊNCIAS:
. ALESSIO, H. M., et al. Exrecise-induced oxidative stress
before and after vitamin C supplementation. Int J Sport Nutr,
v7,n1:1-9, 2002.
. Bloomer R.J, e al, Anaerobic exercise and oxidative stress:
a review. Can J Appl Physiol, 29:245-263; 2004.
. Mc Ardle, W.D., Katch, F. I., Sports and Exercise Nutrition,
Lippinkott Williamns & Wilkins, 1999.
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Nutricionista Ricardo Sodré
Sócio-diretor da Nutconsult
Pós-graduado em Nutrição e Atividade
Física/UERJ
Especialista em Nutrição Ortomolecular
Nutricionista UERJ / SEAP
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