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Síndrome
do Intestino Irritável
A
síndrome do intestino irritável (SII)
é uma das desordens gastrointestinais mais
comuns, atingindo de 10 a 20% da população
americana adulta. As mulheres, em especial, são
as mais acometidas.
As causas ainda são incertas, porém
já foram identificados alguns fatores causais,
como: supercrescimento bacteriano, fúngico
e parasitário (disbiose intestinal), stress,
dieta inadequada, alergias e intolerâncias
alimentares, produção enzimática
insuficiente, intolerância à lactose,
e irregularidades na secreção de hormônios
intestinais responsáveis pela motilidade.
No entanto não há uma única
causa especifica, sendo importante identificar as
causas para cada indivíduo, e trabalhá-las
de acordo com a sua especificidade bioquímica.
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Inúmeras
conferências internacionais já foram realizadas
a fim de propor critérios diagnósticos para
identificar a SII. Foram estabelecidos os Critérios
de Manning e os de Roma, que propõem identificar a
SII através do conjunto dos sintomas que persistem
por um determinado período. Estes incluem: dor e distensão
abdominal constante, urgência para evacuar com posterior
alivio da dor, sensação de evacuação
incompleta, alternância entre a diarréia e constipação,
gases, náuseas, azia e excreção excessiva
de muco. Os pacientes ainda podem apresentar algum grau de
ansiedade ou depressão, dor de cabeça, anorexia
e fadiga. Por se tratar de uma desordem meramente funcional,
sem se observar qualquer tipo de alteração estrutural,
o diagnostico da SII é obtido basicamente por exclusão
de desordens que apresentem sintomas parecidos ou iguais como
doença diverticular, câncer de cólon,
diarréia infecciosa, infecção parasitária,
doença celíaca, disbiose intestinal, intolerância
à lactose, entre outras.
Há
evidências de que as hipersensibilidades alimentares
estão presentes em ½ a 2/3 dos portadores de
SII. Recomenda-se identificar os possíveis alergenos
alimentares e evitá-los por alguns meses (dieta de
eliminação) ou mesmo rodiziá-los. Muitas
vezes, há necessidade de evitar não somente
o alimento alergênico, mas outros alimentos da mesma
família. Os maiores causadores de SII são o
leite e derivados, os grãos (em especial o trigo e
o milho), café, chá, frutas cítricas
e chocolate. A intolerância a dissacarídios (sacarose,
maltose, lactose, manitol, sorbitol, lactose e frutose) é
um achado extremamente comum. A intolerância a lactose
é uma das principais causas da SII, sendo o seu diagnostico
obtido através do teste da glicose ou através
da exclusão por pelo menos 15 dias de leite e derivados
da alimentação. Outra causa comum para a SII
é a infecção por parasitas ou fungos
como a cândida albicans e sua identificação
pode ser feita através da solicitação
do exame coprológico funcional.
Alguns
outros alimentos devem ser eliminados temporariamente do cardápio
de pacientes portadores de SII: os alimentos gordurosos, assim
como refeições com grande conteúdo de
lipídios (estimula a contração colônica)
e o consumo de álcool (por precipitar espasmos colônicos).
A
suplementação com probióticos (as pesquisas
utilizam sobretudo o L. plantarum) está muito recomendada
em pacientes com SII, onde a disbiose intestinal pode ser
uma das possíveis causas. Auxiliam reduzindo a formação
de gases através de um maior equilíbrio da microbiota
intestinal, assim como estimulando o sistema imune a prevenir
uma resposta desagradável a determinados antígenos.
O seu uso parece ser um dos caminhos a se obter uma redução
dos sintomas apresentados pelos pacientes.
Uma
dieta rica em fibras é recomendada para os portadores
de SII, seja através da ingestão de maiores
porções de frutas, hortaliças e cereais
integrais, ou mesmo através da suplementação,
sendo a semente de psillium uma boa opção, assim
como o farelo de arroz, uma vez que é rico em fibras
solúveis e insolúveis, antioxidantes e possui
propriedades antiinflamatórias naturais. A fibra deve
ser adicionada de maneira gradual para não incrementar
a distensão abdominal e a produção de
gases. Embora muito recomendada, a fibra pode piorar a sintomatologia
de alguns pacientes.
A
suplementação de glutamina adicionada a sucos
ou tomada em jejum também apresenta benefícios,
uma vez que é utilizada pelo trato gastrointestinal
como uma fonte energética para recuperação
do epitélio intestinal.
A
utilização de ácidos graxos essenciais
Omega 3 (óleo de peixe e óleo de semente de
linhaça) em combinação com os ácidos
graxos Omega 6 (óleo de borage) auxiliam na lubrificação
do trato digestivo, alem de contribuírem para a redução
da dor e da inflamação associada à síndrome
do intestino irritável pela síntese de prostaglandinas
e leucotrienos inflamatórios.
O
uso de ervas como a camomila, melissa, valeriana e alecrim
na forma de chás ou cápsulas estão indicadas,
devido ao seu efeito antiespasmótico, aumentando a
liberação de gases, estimulando o tônus
do estômago, reduzindo, assim, a dor. O gengibre também
possui propriedades, reduzindo a formação dos
gases, podendo ser utilizado na alimentação
ou em chá puro ou combinado com as outras ervas mencionadas
anteriormente.
Uma
suplementação de vitaminas e minerais deve ser
fornecida ao paciente, com atenção especial
ao cálcio e ao magnésio, cujas propriedades
são anti-espasmóticas.
Além
das medidas nutricionais mencionadas, os indivíduos
com SII se beneficiam com técnicas de relaxamento e
modificação do seu estilo de vida, procurando
reagir com menor stress às situações
do cotidiano.
Referências:
DE SCHRYVVER, AMP; SAMSOM, M. New developments in the treatment
of irritable bowel syndrome. Scand J Gastroenterol 2000;35(Suppl
232):38-42.
LIPSKY, E. Digestive Wellness, 1995.
MARTIN, H.F. Use of diet and probiotic therapy in the irritable
bowel syndrome. Analysis of the Literature. J clin Gastroent
2005:39(Suppl 3): 243-246
THOMPSON, WG; LONGSTRETH, G.F; DROSSMAN, D.A, et al. Functional
bowel disorders and functional abdominal pain. Gut 1999;45(Suppl
II):43-7.
WATSON,
B; SMITH, L. Gut Solutions, 2003.
WATSON,
B; STOCKTON, S. Renew your life, 2002.
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PATRICIA
DAVIDSON HAIAT
Nutricionista
Graduada
pela Universidade Federal do RJ - UFRJ
Diretora e docente da Nutconsult
Especialista em Nutrição Clínica
Funcional - UNIB/VP Consultoria Nutricional
Especialista em nutrição em cirurgias
do Aparelho Digestivol e cirurgia torácica -
HUPE/RJ
Membro do The Institute for Functional Medicine - IFC
Membro
do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional
- CBNF
Docente dos cursos de pós graduação
e extensão em Nutrição Clínica
Funcional - UNICSUL/ VP Consultoria Nutricional
Docente do curso de pós graduação
em Terapia Nutricional - módulo de
pacientes cirúrgicos - UERJ
Atendimento nutricional em consultório
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